O velho gaudério foi para a Grande Coxilha.

Morreu o véi Briza. Getulistão até o talo, teimoso, batalhador, maragato turrão. Mas, ora, gente boa... A gauchada toda, aprovando ou não o pensamento do velho, bem ou mal gostava dele. Negócio de Júlio de Castilhos, bem ou mal a gauchada sempre gosta. Eu, de minha parte, adorava as implicâncias dele com o mundo todo, principalmente com a Globo. Gostava de ouvir ele falar, uma metralhadora giratória com aquelas pausas enooooooormeeeees, aquele sotaquezão platino, vindo lá do Carazinho, apurado nos pampas do exílio, lá nas coxilhas do Uruguai. Achava engraçado ouvir ele falar. Agora ele se foi, né. Agora os anjinhos do céu - ou os demoniozinhos do inferno, sabe-se lá - que tenham paciência. Porque aguentar os humores e os discursos cheeeeeios de metáforas do velho gaudério pode até ser divertido, mas é de doer. Valeu, Briza. Foi uma vida bem vivida. PDT saudações pra ti, tchê!
Escrito por Clarisse às 11h59
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Crônica antiga
Essa croniquinha eu escrevi em maio de 2000, faz tempo. Publiquei no site Blocos e no Pátio. Mas como agora tenho meu próprio blog, vou aos poucos botando aqui um pouco dessas coisas, do tempo em que ainda escrevia algo. Ai, preciso voltar a escrever. E melhorar, claro, porque reli isso aqui e achei bem "regularzinho". Mas, enfim, filho a gente não renega... Ah, eu escolhi essa auqi pra começar porque, como isso aqui é um diário, essa croniquinha foi baseada em fatos reais. Isso aí realmente aconteceu. Ô, besteira...
UM DIA DE LOTERIA
O mais importante a ressaltar é que eu não tinha nem por perto o hábito de jogar na loteria. Mas aconteceu que um sonho muito estranho me fez acordar de repente, às 5 da magrugada, e ficar atenta, olhando ao redor como se ainda ouvisse o locutor do rádio — o que me falou no sonho — repetir o número, cerca de 5 vezes: mil cento e dezoito! mil cento e dezoito!
Acho que nem vale a pena contar aqui em detalhes o sonho. O fato é que ele ficou gravado na memória. Mas é de elevada importância resgatar um fato: eu era, e talvez ainda seja, salvo essa exceção, daquelas pessoas para as quais a noite passa vazia de sonhos. Ou, como todos dizem, vazia da lembrança de sonhos. Pois não dizem por aí que todos sonhamos, e que o que acontece é que algumas pessoas simplesmente não se lembram do seu sonho? De qualquer forma, uma memória bem desprivilegiada também era uma característica minha.
Mas, sigamos. A manhã passou devagar, como muito raramente acontece às manhãs, pois que — ao meu ver, pelo menos — as manhãs são geralmente muito curtas. Talvez porque eu acorde tarde, mas, do mesmo jeito... que coisa.
Bem, na morosidade daquela manhã o número mil cento e dezoito ficou como que pregado na minha cabeça. Comecei a achar que realmente deveria fazer o que nove entre dez brasileiros fariam. Jogar no número.
O sonho aconteceu num sábado à noite. E o domingo tinha sido daqueles em que devia mesmo era estar chovendo para ficar perfeito. Só casa: só, em casa. Acontece que, como sempre acontece, o dia seguinte era uma deplorável segunda-feira. Que chegou, a dita, radiante, ensolarada como se fosse sábado. Pois naquele dia, depois de nunca haver entrado em lojas de loteria, resolvi dar uma passadinha. Só para ver.
À primeira vista, um mistério. Ou melhor, uma avalanche. Tem Sena, Mega Sena, Quina, Lotomania, tem a Loteria Esportiva — que merece um aparte, pois resgata os jogos de futebol, os melhores lances do campeonato, essas coisas que habitam um universo pra mim tão distante quanto cercado de fanáticos — e tem também a Loteria Federal, com aquelas cartelas compridíssimas, coloridíssimas, numeradíssimas... Mas susto mesmo eu levei quando olhei de repente para o lado e vi estampado o número numa dessas feéricas cartelas: 51180. Ora, o homem do rádio falou exatas cinco vezes aquele número. E eu havia acordado exatamente às cinco horas. E o zero depois, ora, só vem melhorar, certo?
O fato é que prêmios de loteria mais parecem doenças fatais. Aquele tipo de coisa que só parece que pode acontecer com pessoas distantes da vida da gente. Porque, assim como quando se ganha um grande prêmio, quando se é vítima de alguma fatalidade a gente sempre custa a acreditar. Outro fato é que a esperança de se tornar muito rica, de uma hora para a outra, assaltou — com o perdão da palavra — os pensamentos geralmente céticos que eu tinha a respeito da vida. E comprei avidamente o bilhete. Quanto custa? Quanto? Eu quero inteiro. E parti com uma certa sede sobre o guichezinho que ostentava as cartelas mais discretas (mas não menos milionárias) da Mega Sena, Quina e outras tais. Até a Loteria Esportiva, quase escondida por trás das traves, não me escapou. Depois de gastar quase cem reais, dando-me ao direito de abusar de certas facilidades tecnológicas das cartelinhas, como a "surpresinha" e a "teimosinha", que encareciam a jogada mas aumentavam as chances, saí da lotérica. Estava me sentindo com um estranho poder, algo se desenrolava e se enrolava na minha mente ainda semi-adormecida: como diria ao meu chefe, por exemplo, que não mais trabalharia? Porque, ora, a vida havia de se tornar diferente. Se não é para isso que servem as loterias?
Aí que já na saída resolvi jogar até no bicho. Que é, no final das contas, o jogo mais ligado à essa conversa de sonhos, se não me engano. Joguei e quando, no jornal do outro dia, fui ver o resultado, o número 5118 havia saído na extração anterior. Aí que eu percebi que não havia jogado no bicho antes porque não havia dado tempo: eu perdi muito tempo na casa lotérica. E acabei perdendo a chance de ganhar uma grana.
De qualquer forma, foi um dia desses, como qualquer outro que a gente leva, alguns mais, outros menos, sempre achando possível — ou não — que uma chuva de dinheiro venha salvar a gente dos caprichos da mesmice. Pois é. Foi um dia de loteria.
Escrito por Clarisse às 13h58
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Bateram no meu carro!
Dessa vez a culpa não foi minha mesmooo! Anteontem o meu carro estava estacionado em frente à agência, perto da esquina, e eu no décimo andar! Daí um cara foi fazer a curva e puf! Bateu no meu carro, num Gol, num Corsa e numa moto. Já pensou? Olha aí o acidente visto aqui de cima.
 O Gol branco já tinha saído lugar, está do outro lado da rua. O carro que bateu é o preto, que tá encostado no meu. O meu é essa Parati prata que ficou colada no meio-fio. Ali na frente de mim tinha uma moto estacionada, que também se lascou. Ainda bem que o cara da moto não tava na própria. Eu estava calma, juro que não perdi a cabeça. O meu carro nem saiu rodando. Amassou toda lateral, rasgou o pneu, entortou as rodas... Ainda bem que o cabra que bateu assumiu e tem seguro, cobre danos a terceiros. E ainda bem que meu seguro me oferece carro reserva, devo pegá-lo amanhã. Olha aí a lateral amassada. Buááá.
 Ai, eu DE-TES-TO esses adesivinhos de Nossa Senhora nas traseiras dos carros. É todo mundo, que coisa chata! Hehehe, que mal humor, hein? Bom, mas eu tô feliz, afinal não tive prejuízo e vou ter carro-reserva. Tomara que a locadora de veículos que tem trato com meu seguro não tenha nenhum básico disponível, como na outra vez, e me dê um com direção hidráulica e ar-condicionado. Estou luxenta, agora, hehehe. Olha, eu nunca estaciono aqui na frente, mesmo porque nunca tem vaga. Logo nesse dia tinha vaga. Argh!
Olha, pessoal, bem que eu gostaria de ter postado isso antes, ou melhor, mais bem escrito, com as fotos trabalhadas... Mas como a Lília diz, eu não sou vadia que nem ela. E tenho uma pilha de jobs aqui do meu lado que estão me apavorando. De qualquer forma, pelo menos estou aqui, e estarei sempre, do jeitinho que der. Beijins, fui!
Escrito por Clarisse às 14h23
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Ray Charles on my mind.

Morreu ontem o grande cara. Músico genial, cabra escroto. Podem até dizer assim: oh, a black music perdeu um grande nome. Que nada. A música desse cara tinha tudo quanto é cor. Uma droga, ele morrer. Mas é o caminho, não tem jeito. Seja como for, acho que vai rolar "aquela" festa no céu. E com um suíngue dos diabos!
Escrito por Clarisse às 16h31
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Sono.

Ai, que sono. Devia ser proibido deixarem as pessoas irem trabalhar com sono. Devia ser proibido deixarem as pessoas dormirem mal. Sentir sono é muito chato. Tão chato que até os textos que as pessoas com sono escrevem são chatos. Tudo fica cinza, besta, bobo, com cara de tartaruga. Muriçocas deviam ser execradas, defenestradas da face da terra. Não sei que tipo de acidente ecológico tal cassação causaria, mas qualquer distúrbio ambiental tipo “Parque dos Dinossauros” seria menos horripilante do que a presença de muriçocas na vida da gente. Baratas também, claro, mas como baratas são superpoderosas, não vou aqui exigir o término dessa espécie também, dá muito trabalho. E eu tô com sono. Sono é o fim. Dá vontade de morrer só um pouquinho. Fui em casa ao meio-dia pra dormir e acabei me deitando à uma da tarde, pra talvez adormecer um tiquinho à uma e meia... e acordar às duas e quinze pra voltar aqui pra agência. Não tava dando pra dormir. Me deu vontade de ir pra um motel sozinha, ligar o ar condicionado e dormir por 3 horas, sozinha, esparramada na cama redonda. Sem nenê chorando. Sem cachorra latindo. Sem telefone tocando. Sem muriçoca zuando. Cuidado, loba com sono. Muito. Aúúú, quer dizer, uááá.
Escrito por Clarisse às 16h19
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Antes de ser mãe II
Fiz esse textinho baseada num texto lindo que recebi por email da Lilia, "Antes de ser mãe", da autoria de Affonso Romano de Sant'anna, do livro "Antes que elas cresçam". Esse texto já rodou vários blogs, quem quiser ver pode visitar esse blog aqui, por exemplo. Por isso também nem vou repetí-lo. O meu texto não chega nem aos pés da fonte em que bebi, mas é meu mesminho... Bom, chega de mequetrefes, lá vai o dito.
(Dá licença, seu Affonso? Afinal, eu sou mãe e o senhor não, né?)
Antes de ser mãe eu dormia. Muito. Acordava, tomava café e, se quisesse, dormia mais um pouquinho. Eu ia ao banheiro quando tinha vontade, e não quando dava. Eu tomava banhos demorados. Eu me olhava no espelho todos os dias. Antes de ser mãe eu nunca deixava de escovar os próprios dentes. Nem ficava muito tempo sentindo fome ou sede. Eu não ficava juntando brinquedos do chão. Eu passava reto pelas prateleiras de fraldas no supermercado. Eu namorava mais. Antes de ser mãe eu usava brincos. Eu me arrumava. Eu não sentia tantas dores nas costas. Antes de ser mãe meus peitos eram meros elementos decorativos. Com algum uso erótico, óbvio. Porque se agora não sou, antes de ser mãe é que eu não era santa mesmo. Antes de ser mãe eu tinha outros assuntos. Juro. Eu falava de coisas que não tinham nada a ver com febrinhas, dentinhos, soninhos, papinhas. Antes de ser mãe eu fazia farra. Comia, bebia e fumava sem pensar na qualidade do leite fabricado. Eu lia livros e revistas. Até tarde. Eu não comprava tantas verduras e legumes no supermercado. Antes de ser mãe eu achava que não tinha tempo para ginástica e inglês. Piada. Eu achava também que me cuidava pouco. Imagina agora. Antes de ser mãe eu trabalhava até tarde. E chegava tarde no trabalho. Eu também não sentia tanta saudade. Antes de ser mãe eu fazia fotos de pessoas adultas, paisagens. Eu na verdade não dava muita bola pra fotos. Nem pra família. Antes de ser mãe eu pouco me ligava em minha própria família. Amava, claro, mas me sentia confortável com a distância. Antes de ser mãe eu ia à praia perto do meio dia. Viajava pra lugares sem planejar, esquecendo de várias coisas na bagagem, mas tudo bem. Antes de ser mãe eu fazia a mala em 5 minutos no máximo. Ia a praias desertas. E, de mãos dadas com meu amor, dava longas caminhadas. Antes de ser mãe eu já me entregava de corpo e alma ao meu grande amor, e achava que realmente sabia o significado da palavra doação. Tolinha. Eu até achava que era feliz!
Escrito por Clarisse às 11h32
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Amo Amamentar. Amo.
Eu estou adorando ser mãe. E nesse universo tudo-de-bom que é a maternidade, continuação da vida nossa, o que mais eu amo é amamentar. Dar o peito, nutrir com a própria vida, passar energia, criar leite. É mágico. Grande parte do que como ou bebo se transforma em leite! Sou uma fábrica de laticínios ambulante... Claro que amamentar, principalmente à noite, faz com que eu fique mais presa, pois o bebê acorda e quer o peito... Não tenho saído para farras noturnas, sinto que faço falta ali, ao lado do bercinho de minha linda. Mas ah. Vale à pena. Eu gosto. Eu faço questão. E só saio à noite se posso levar (sem perturbar muito a rotina dela) minha bezerrinha junto, minha macaquinha, minha gatinha, minha lobinha. Minha bichinha. Hahaha. A gente fica assim meio bicho mesmo. Porque bicho não faz mamadeira, não compra Leite Ninho, não esquenta água no microondas e mistura o leite em pó. Bicho dá o peito. E é o que a loba aqui mais ama.

Saúde! Ééé... É um vinhozinho de leve, a lobinha bem que gosta desse tempero no leite. Ainda mais no friozinho de Porto Alegre. Aí estamos na casa da Loraine, a Oia, minha grande amiga, minha irmã! Nesse dia encontrei outros queridos amigos, colegas do tempo do Nossa Senhora das Dores. Bom, muito bom estar com meus amigos de tanto tempo, que há tanto tempo não via. Marquinhos, Alexandre, Paulo Christo! Tão bom revê-los! Melhor ainda reencontrá-los levando junto minha lobinha, e tomarmos juntas (eu e ela) um bom vinho ao lado dos amigos. Saúde!
PS.: Acabo de saber que minha amiga Tutti está grávida. O papai, Pedro, me contou via MSN. Parabéns, Tutti e Pedrinho, fico muito feliz de saber que essa dupla linda "vai dar cria"! Aúúú!!! Legal demais! Parabéns!
Escrito por Clarisse às 11h47
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A viagem da loba.
Estive fora. Estive em Porto Alegre, semana passada, com minha baby Isadora à tiracolo. Literalmente, pois ela tava um grude em mim, a bichinha. Acho que ela pensava assim: “vai que eu perco ela de vista e ela volta pro Ceará sem mim!” Adorei. Foram as férias mais cansativas da minha vida, mas amei. Foi maravilhoso estar com minha mãe, e ficar tantos dias com minha bebezinha, direto, eu e ela. Foi ótimo encontrar minha irmã bem, estar lá no aniversário do meu irmão... Mas olha só. Escolhi maio porque ainda não é frio demais... mas fez 4 graus! Há 8 anos não fazia tanto frio no outono gaúcho. E tinha que fazer justo nessa semana (parece que agora já tá melhorando o clima por lá). Minha mãe tinha levado um tombo dias antes de eu chegar, e tava cheia de dores, praticamente entrevada, tadinha. Então eu tinha que dar conta da Isa sozinha. Por causa do frio de rachar, até o banho da nenê era uma gincana. Ufa. Além disso, meu irmão mais velho e família estavam todos gripados, só pude vê-los lá pro final da semana, pelo menos isso. E a volta! Fomos ao aeroporto às 17:20, duas horas de antecedência para o embarque às 19:20. Mas esse vôo atrasou quase 3 horas, e eu perderia assim minha conexão, daí transferi para embarcar às 23:20. Ou seja, quase 6 horas no aeroporto, com uma bebê! E isso que eu já estava exausta, a arrumação das malas foi um estresse, pois o tempo ficou curto! Enfiei tudo dentro da mala, uma confusão, nem consegui tomar banho nesse dia. O vôo, longo, interminável... Isa se comportou bem, mamou nas decolagens e aterrissagens, dormiu... eu tive a sorte de contar com assento vago ao meu lado, coloquei o bebê-conforto e ela não se cansou tanto. Mas eu... Cheguei em casa às 7 da manhã de segunda-feira, tão cansada e dolorida, tão arrasada, que não consegui sequer ligar para o trabalho e dizer que não iria segunda... Me sentia, assim, um chiclete pisado numa calçada, um caroço de manga chupado e jogado na areia... Um caco!!! Mas o apurado geral foi ótimo! Matei a saudade da família, apresentei a filha pros tios, pra tia, pras tias-avós, pras primas, pro primo... Nessas horas a família pede um sacrificiozinho da gente, valeu à pena gastar uns dindins e visitar os pampas, mesmo com todo esse cansaço. Faria tudo de novo. Ufa! Mas daí eu me lembraria de usar a sala vip que o meu cartão de crédito oferece, e que eu simplesmente esqueci! Fiquei pastando no aeroporto feito alma-penada, ai que ódia! Mas pronto, estou aqui no meu Ceará, ao lado do meu Chico, nesse calorzinho bão, afemaria.
Escrito por Clarisse às 17h21
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