Croniqueta notúrnica.
Vai aí uma croniqueta que escrevi à noite, deitada no escuro, no palmtop. Sei lá, umas frases bobas foram me chegando, atrapalhando meu sono, lembrando duma e doutra colega de trabalho, de jeitos tão avessos ao meu... Pois é. Só assim, mesmo, pra eu escrever alguma coisa. E olha a surpresa, o pessoal do "Crônica do dia" leu, gostou e colocou lá no sáite deles. Legal!
ELA NO SALTO
Ela no trabalho, olhos de ressaca. Corretivo, rímel à prova d'água, base Avon: Capitu na cervejada. Subida no salto, sem ele, ela é nada. Sutiã de bojo com alça de silicone – e um sonho a realizar: botar silicone. Se sonhar com fé consegue, de preferência na Santé. Horas ao telefone. CD novo na prateleira, do Zezé di Camargo. Ama de paixão. Letra do forró decorada. Sua noção de sucesso é mostrar o piercing-formato-golfinho na vaquejada. Ela no decote, musa recém separada. Chapinha de vez em quando, mas a escova é sagrada. Ela no ouro é Romannel, brinco pulseira pingente cordão. Só usa jóia folheada. Brincos pesados, argolas gigantes, orelha quase rasgada. Tinta preta no cabelo, só para dar um tom. Deusa do subúrbio, faz as unhas todo sábado e só anda bem arrumada. Esmalte Colorama Ameixa, sombrancelha fina demais, depilada. Beleza duvidosa, suburbana, aditivada. Tira tudo no cartão de cinco vezes das Lojas Esplanada. Diz sempre "um cheiro" e de vez em quando se despede, charmosa e enigmática, com um "beijo no coração". Às vezes ela se sente assim, culta e bem informada. Vale lembrar que começou um curso básico de computação. Windows, Word, Excel: agora é tudo ou nada. Vale-refeição na bandeja - é doida pela lasanha, mas luta para começar sempre pela salada. Vale-transporte fashion, desfila pela roleta. Blusa suplex pink e calça capri de helanca preta. Plataforma imitação da Azaléia, couro branco, gata-cachorra, sílfide elevada. Ela no salto. Sem ele, ela é nada.
Escrito por Clarisse às 15h13
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A toca da loba.
Eis que estamos quase lá. Falta pouco, muito pouco. E estou doida pra mostrar aqui alguns detalhes lindos da casa nova. Primeiro queria mostrar uma foto do quintal, e o nosso pé de graviola.

Tudo ou pelo menos a grande maioria do que tem aí no quintal foi plantado bem na mesma época que Isadora nasceu. Nessa foto dá pra ver a hera crescendo no muro, e um pedacinho duma babaneira ao fundo. E eis aí, diante do pé de graviola, esplêndida e bela, minha lobinha pelada, se levantando bravamente pra cair de novo já já.

Essa é a famosa escada! Ainda faltam os corrimãos e a cerquinha de segurança, para que a isadora não se arvore em subir e descer essa armadilha... É basicamente a falta disso que tá segurando nossa mudança.

Aqui a escada vista de cima. Cada degrau tem um desenho diferente do outro. Uma coisa bacana demais! E o que eu achei mais legal é que ela é superconfortável de pisar, andar. Deu uma trabalheira medonha, um stress danado, mas ficou bacana. Agora só preciso ver com meus olhinhos como vai ficar o tal do corrimão, porque não consigo imaginar como vai ser esse negócio...

Aqui, olhando de baixo pra cima (estou deitada no chão da sala). O mezanino (sem a mureta de proteção) e os detalhes lindos do teto, com forro de gesso, iluminação linda maravilhosa e detalhes do telhado em madeira, aparecendo. Show de bola, orquestrado pelo espetacular maridão, o meu próprio Chico.
Pronto. Nada de textos mirabolantes, nada de desabafos, nada de críticas nem homenagens. Apenas uma vontade doida de morar na minha toca nova! Apenas um photo-report do meu lindo recanto pessoal, que também deve estar doido para ser habitado por mim e por minha família, preenchido com nossa felicidade! Ai, fui piegas... Azeite!
Escrito por Clarisse às 16h55
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